Você está aqui
Home > Se Liga! > Entrevista com Maneca: Sócio-fundador da Nova Geração Skateboard, hoje dá aulas de skate para crianças.

Entrevista com Maneca: Sócio-fundador da Nova Geração Skateboard, hoje dá aulas de skate para crianças.

entrevista

Emanuel Bueno, conhecido também como Maneca, é de Pelotas (RS), tem 28 anos de idade e 16 de skate. Trabalha há 10 anos com o esporte, focado em recreação e lazer.

Sócio-fundador da Nova Geração Skateboard, dá aulas de skate para todas faixas etárias, realiza excursões para pistas, coordenador de eventos da FGSKT da Regiao Sul e para vários outros eventos ligados ao esporte e ao estilo de vida.

Em entrevista, Maneca fala um pouco da trajetória do projeto, sobre skate e planos para o futuro.

entrevista

Quando surgiu o projeto Nova Geração Skateboard e para o que ele é voltado?

Os projetos que comecei a fazer voltados ao skate começaram forte em 2007, com a organização de campeonatos. Frequentando a pista pública da cidade eu, o “Alemão” Leonardo e até mesmo outros skatistas da Pista Pública de Pelotas (PPP), vimos que as vezes chegava um pessoal que precisava de ajuda no início e, para que não se machucassem tentando dropar uma rampa, dávamos uma instrução para a galera. Em função disso, criamos a Nova Geração Skateboard, que começou entre o final de 2009 e início de 2010, quando foi dada a entrada em todos os documentos necessários para abrir uma empresa voltada à recreação esportiva.

Após esse processo, colocando a Nova Geração Skateboard em prática, em 2012 nós projetamos uma pista móvel para que pudesse ser levada para escolas e outros lugares onde os skatistas pudessem andar. Isso foi pensado porque na época a cidade não contava com uma pista, já tinha um pessoal que estava com um nível mais elevado e poderiam evoluir ainda mais. Com a ideia de dar essa oportunidade de evolução, as medidas acabaram ficando um pouco grandes e dificultando o transporte dos obstáculos, o que acabou fazendo com que essa ideia fosse deixada de lado.

Assim, o projeto focou mais em aulas de skate e atividades recreativas com crianças, onde nós alugamos skates e equipamentos para que as crianças possam praticar o esporte em segurança com a nossa orientação, oferecendo aulas com todo o suporte técnico que a gente pode oferecer.

Com relação as aulas para as crianças, o que vocês tentam passar para elas além de ensinar a como andar de skate?

Primeiro tentamos cobrar a disciplinaalém de ensinar a andar de skate e de apurar mais a técnica dos que já começaram a andar, a gente tenta passar para as crianças métodos cooperativos de interagir. Porque além de iniciar no skate a gente quer que eles continuem praticando e que realmente peguem gosto pelo esporte.

entrevista

E os planos pro futuro? O que vocês pensam em implementar no projeto?

O nosso maior sonho com relação ao projeto é ter uma pista para poder além de dar aulas e fazer eventos, ter condição e estrutura para formar futuros skatistas profissionais e aumentar cada vez mais o número de adeptos, que já é muito grande e cresce cada vez mais. Outra coisa é organizar um campeonato com profissionais na cidade, trazendo skatistas de todo o Brasil, tanto de Street como Vertical. Além disso, agregar a música, o grafite e todos os outros elementos ligados a essa cultura por meio de oficinas e outras atividades para fortalecer ainda mais tudo o que já foi construído com o projeto Nova Geração Skateboard.

Como o principal local de trabalho de vocês é a pista pública, que vocês trabalham ensinando as crianças e fomentam o Skate mesmo com a pista estando em condições precárias, o projeto se mobiliza ou participa de alguma forma nas tentativas de conseguir junto à prefeitura a reforma e ampliação da pista pública de Pelotas?

Já faz tempo que a gente vem lutando pra isso, apesar de já ter tido várias decepções. Na verdade a gente foi enganado várias vezes porque se tu for ver tem matérias no jornal que falam: “A pista sairá do papel ano que vem”. Os prefeitos anteriores e atuais, prometeram a reforma e ampliação, estipulando quando começariam, mas nada foi feito.

A PPP foi inaugurada dia 4 de setembro de 2004, no final do mandato do Fernando Marroni, e foi construída às pressas e sem um  planejamento adequado, pois ela foi feita numa época que o skate estava crescendo que nem “capim ruim”, era skatista pra tudo quanto era lado, andando pelas ruas e fazendo seus próprios obstáculos. Para se ter uma ideia de como a pista não foi encarada como um projeto de fomento ao skate, a PPP foi construída praticamente junto com a pista do IAPI de Porto Alegre, essa sim foi feita com um planejamento, abrindo espaço para os skatistas opinarem para chegar a um projeto ideal e levando características do mobiliário urbano para dentro da pista. Lá foi construído um lugar para que se pudesse, além de reunir skatistas, fazer eventos e promover campeonatos para fortalecer a cena local. Com essa falta de apoio e planejamento com relação ao skate aqui na cidade, Pelotas até hoje não formou nenhum profissional de expressão no esporte, enquanto em Porto Alegre tem o Luan Oliveira, que vinha direto para Pelotas e inclusive participou da inauguração da nossa pista. Hoje ele é campeão do Street League e referência mundial no esporte. E isso aconteceu porque, além de outras coisas, Porto Alegre possui um local apropriado para a prática do esporte.

Após todo esse tempo com a pista sem reformas, o skate começou a crescer novamente na cidade, ter mais adeptos e a gente se juntou para ir até a secretaria responsável e viabilizamos um novo projeto para a pista que inclusive estava na capa do caderno de atividades de 2011 da Prefeitura, só que acabou não rolando até hoje. Acredito que ainda vá acontecer, Pelotas só tem que ter vergonha e ver que aqui na nossa volta cada vez surgem mais lugares voltados para o skate. O esporte está sendo valorizado e aqui a prefeitura segue não dando muita bola e deixando esse projeto de lado.

entrevista

Falando de tudo um pouco, como tu vê hoje a aceitação do Skate pela sociedade e a visão que as pessoas tem do skatista aqui na cidade?

Quando eu comecei a andar de skate, muitos pais não gostavam que seus filhos andasse. O esporte era visto com um certo preconceito, porque além de não ser muito difundido na cidade, não aparecia tanto na mídia, a televisão sempre mostrava o skate em cenas pesadas, de gangues. A imagem do skatista era ligada a violência. Hoje em dia eu acho que é mais aceito, com o crescimento que o skate teve e a inserção dele em programas de esporte, nos meios de comunicação em geral, ajudou um pouco a amenizar essa ideia de vandalismo ligado ao esporte. Caminhando pela cidade é muito mais fácil tu encontrar um cara indo andar de skate do que tu encontrar alguém indo jogar futebol. O skate hoje é muito popular em meio aos jovens, mas a aceitação por parte da sociedade, apesar de ter melhorado, ainda não é a ideal.

Para encerrar, falando novamente do Nova Geração Skateboard, o que está pra rolar ainda esse ano?

Dia 26 de julho, próximo domingo, estaremos organizando uma excursão para Portão, onde a galera vai passar o dia no Bowl que tem lá e andar de Skate com a galera. Dia 8 de agosto vai rolar uma oficina de Skate com a criançada na Loja M8 Skate House, que conta com uma mini ramp no pátio. A partir de agosto iremos também trazer a escolinha de Skate pra dentro da M8, seguir tocando os projetos que a gente tem, ligados à recreação com skate, festas de aniversário e oficinas onde as crianças e os pais participam junto. Outra ideia que será implementada esse ano será a de levar essas oficinas para dentro das escolas, públicas e particulares, para que um dia seja possível a criação de um circuito escolar de skate, integrando e unindo os estudantes das escolas da cidade. Por fim, dias 29 e 30 de agosto estaremos realizando a segunda etapa Prata do Circuito Gaúcho de Street Skate na pista do Marinha em Rio Grande, que vai  contar com um campeonato de Skate top para todos amantes e simpatizantes e várias outras ideias que estão no papel e estamos trabalhando para fazer acontecer.

Confira abaixo mais algumas fotos e conheça um pouco mais do projeto.

entrevista

entrevista

entrevista

entrevista

entrevista

entrevista

entrevista

entrevista

Fotos: Daniel Bob

link news copycomentários copy

 

Leia Também:

Em Cuba, o Projeto Amigo Skate Leva o Esporte até o País.

Zudizilla: “O rap é uma ferramenta de transformação do ser humano”

Yndiara Asp: Uma Promessa no Skateboard Feminino

Bero: Artista pelotense fala um pouco sobre sua trajetória no grafite.

 

Felipe Holman
Felipe Holman
Além de curtir skate desde muito tempo, é Publicitário, Designer Gráfico e também criador do projeto Maloka - Skate e Cultura Urbana.
http://www.malokaskate.com.br

Deixe uma resposta

Top