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De El Salvador até os EUA de skate para fugir da violência

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Um grupo de quatro jovens salvadorenhos decidiram viajar mais de 3.200 quilômetros para ir até os Estados Unidos (EUA) de skate. O objetivo era fugir da violência e das gangues da capital de seu país, San Salvador, escapando de patrulhas nas fronteiras e dos cartéis de drogas nas regiões mais perigosas do México.

Kelvin, Rene, Kevin e Eliseo relatam que as gangues de El Salvador capturaram a maior parte de seus amigos skatistas e os levaram de volta para casa durante a tentativa de ir para os EUA, espancando-os e quase os matando. Porém, os quatro conseguiram seguir em frente em sua jornada.

O Começo

No meio do deserto mexicano e sem saber direito a que distância estariam de Los Angeles, o grupo de skatistas imigrantes seguiu caminho aproveitando a viagem dia após dia. elvin diz que essa viagem do grupo, atravessando fronteiras de skate, é realmente radical e tem um paralelo com o esporte. O skate, por ser proibido nos anos 60, surgiu quebrando leis e barreiras e, ainda assim, existem pessoas que o acham ruim. Dessa forma, eles estariam também fazendo o mesmo, rompendo leis, principalmente as leis imigratórias, que proíbem as pessoas de transitar livremente. Na prática, essas fronteiras não deveriam existir.

Voltando a falar da violência em El Salvador, segundo Eliseo, não se pode mais nem andar na rua de Skate. E quando ocorrem assaltos, além dos assaltantes levarem todos os itens de valor, perguntam onde a vitima mora. Caso a pessoa minta, atiram sem pensar duas vezes.

Em março, o grupo partiu de noite, percorrendo mais de 560 quilômetrosde San Salvador até a cidade fronteiriça de Tecún Umán, na Guatemala, que segundo o grupo foi a parte fácil da viagem. Após esse trajeto, precisavam andar mais de 2.400 quilômetros pelo México, passando por agentes de imigração, sequestradores e chantagistas, para depois tentar cruzar a fronteira dos Estados Unidos, conhecida por ser uma das mais militarizadas do mundo.

Falando na fronteira entre os Estados Unidos e México, em julho de 2014 o presidente do México Enrique Peña Nieto lançou uma nova política de imigração na fronteira sul do País. A nova estratégia, financiada pelos EUA, visa interceptar centro-americanos já no extremo sul do México para que sejam deportados o mais longe possível da fronteira norte americana. Como resultado, o número de centro-americanos deportados do México quase dobrou no ano passado, subindo para 51.565 pessoas. A deportação de crianças com idade abaixo de dez anos disparou mais de quinhentos por cento.

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Problemas no México

Para evitar esses novos postos de controle, os skatistas viajam sempre a noite por meio de desertos de selva densa. Fazendo isso, o grupo chegou até a fronteira mexicana após uma semana. Ficando em abrigos de Igrejas Católicas, conseguiam um teto para passar a noite e comida.

Após muitos quilômetros de viagem, começaram a entrar em desacordo sobre o ritmo do percurso e sobre o pouco dinheiro que possuíam para seguir com o planejado. Rene e Kelvin queriam seguir viajando a pé, enquanto Eliseo o Kevin estavam cansados e queriam se arriscar em uma viagem de trem. Na cidade do México, Eliseo e Kevin pegaram, escondidos no meio a noite, um trem para Querétaro, próxima grande cidade ao norte. Em poucas horas, Eliseo e Kevin foram apreendidos por funcionários da imigração mexicana, colocados em um avião de volta para El Salvador e tiveram seus skates confiscados.

Rene e Kelvin continuaram sozinhos. Suas famílias enviaram-lhes um pouco mais de dinheiro, para que pudessem pagar pelo menos as passagens de ônibus. Depois de dois meses na estrada, viajando mais de 3.200 quilômetros, chegaram à fronteira com os EUA. Mas ainda assim seus problemas estariam longe de terminar.

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O Fim da Jornada

Os membros dos Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México, informou que eles teriam que pagar um pedágio de 1.500 dólares para atravessar a fronteira. Kelvin e Rene não tinham o dinheiro para pagar a taxa e, na tentativa de ir por conta própria, chegaram até a divisa entre os dois países, mas a patrulha da fronteira apareceu e eles tiveram que se esconder para depois cruzar o rio de volta ao México.

Então, durante um mês, suas famílias juntaram dinheiro novamente para enviar aos jovens, que conseguiram pagar um coyote e chegar ao seu destino final.

Agora Rene e Kelvin estão nos Estados Unidos, mas os problemas continuaram. Eles estão alojados em um quarto de um coyote em condições precárias, com mais 20 pessoas. Vivendo sem saber ao certo o que pode acontecer no dia seguinte, com a possibilidade de uma abordagem repentina de agentes da imigração, os jovens trabalham na própria casa onde vivem, ajudando os coyotes nas preparações dos transportes dos imigrantes. Assim vivem Rene e Kelvin atualmente, e continuam perseguindo o seu sonho de andar de skate na Califórnia. Mas hoje em dia, segundo os dois, nos Estados Unidos é onde eles mais estão sofrendo depois de tudo.

Fonte: Rolling Stone Remezcla

Via: Willian Carneiro da Silva

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Felipe Holman
Felipe Holman
Além de curtir skate desde muito tempo, é Publicitário, Designer Gráfico e também criador do projeto Maloka - Skate e Cultura Urbana.
http://www.malokaskate.com.br

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